DERMATITE ATÓPICA

Dermatite atópica é uma doença de pele muito comum, ocorre entre 10 a 15% da população (mais de 20% das crianças e em torno de 3% dos adultos). É uma doença inflamatória de origem crônica, genética e multifatorial (ou seja tem várias causas). Apresenta-se por lesões vermelhas, com crostas e que coçam. Também cursa com ressecamento da pele e pode levar ao espessamento da pele, induzido pelo ato de coçar.

A dermatite atópica é causada por um defeito de barreira cutânea que resulta em inflamação secundária. Este déficit na barreira é decorrente de mutações na proteína da pele, chamada filagrina, que é necessária para o desenvolvimento normal da pele, assim como para a hidratação natural da pele. Desta forma, Os pacientes com dermatite atópica apresentam uma pele mais ressecada e com menor proteção (pela barreira deficiente).

Além da deficiência de barreira, a dermatite atópica tem grande influência genética. Filhos de pais com dermatite atópica, rinite ou asma tem chance maior de desenvolver a dermatite atópica.

Em geral, a dermatite atópica inicia no bebê (geralmente após os 3 meses), com melhora progressiva até a adolescência, podendo desaparecer. Entretanto, o início pode ser mais tardio e durar toda a vida. É frequente é a associação com outras atopias como rinite e/ou asma.

           

O quadro clínico e as localizações das lesões dependem da idade do paciente, mas um sintoma comum a todas as idades e sempre presente é a coceira. Em casos graves toda pele pode estar comprometida e a coceira pode ser debilitante. A dermatite atópica geralmente melhora com o crescimento da criança, mas pode durar até a idade adulta e às vezes começar mais tardiamente. Mesmo nos casos que há melhora a pele tende a ser seca e sensível.

Nos bebês até os 2 anos, é mais comum as lesões da face (especialmente bochechas), atrás dos braços e pernas. Nesta idade as lesões são mais agudas, ou seja, mais vermelhas, com vesículas e secreção. Já na criança entre dois a doze anos, as lesões são mais comuns nas dobras dos braços (fossa cubital) e atrás do joelho (fossa poplítea), com lesões menos vermelhas, mais descamativas e com menos secreção. A partir dos 12 anos e na idade adulta é mais comum lesões com espessamento da pele nas dobras, face e também dermatite das mãos.

           

Outras lesões estão associadas com a dermatite atópica, mas não obrigatoriamente presentes como: ictiose (pele muito seca), hiperlinearidade palmar (aumento dos sulcos das palmas das mãos), queratose pilar (bolinhas brancas de localização nos folículos pilosos), olheiras, linhas de Dennie-Morgan (sulcos localizados nas pálpebras inferiores), pitiríase alba (manchas brancas na pele), intolerância à lã, tendência à infecção de pele de repetição, alterações oculares (ceratocone, catarata, conjuntivite), intolerância alimentar.

 

O tratamento varia conforme a fase, faixa etária e extensão da doença. Os cuidados gerais para o controle da dermatite são fundamentais:

  • Banhos mornos e rápidos

  • Não usar bucha ou esponja, usar toalhas e algodão sem amaciante e não esfregar excessivamente

  • Usar sabonetes líquidos preferencialmente com pH próximo ao da pele (4,5 a 5,5) ou syndets (géis de banho sem sabão)

  • Usar pouco sabonete e especialmente nas áreas de odor (axilas, área íntima, dobras e pés)

  • Usar hidratante logo após o banho (com a pele ainda um pouco úmida) e repetir outro horário

  • Se banho de piscina com cloro, lavar logo após com água corrente e hidratar a pele.

  • Retirar etiqueta das roupas, usar roupas leves e de algodão

  • Evitar alimentos com aditivos, corantes e preservativos

  • Retirar carpetes, tapetes ou outros objetos que acumulem poeira.

  • Evitar poeira e ambientes com mofo

  • Cortar as unhas rente

  • Quanto à hidratação, há produtos específicos para dermatite atópica, sem fragrância e sem conservantes que causam sensibilização.

  • Quando há lesões ativas ou crises, podem ser necessários medicamentos tópicos como corticoides e imunomoduladores. Além disso medicações orais como anti-histamínicos podem ser associados para diminuir a coceira (nunca usadas de forma única).

  • No caso de dermatite atópica grave é necessário o tratamento sistêmico. Podem ser utilizados medicamentos que diminuem a imunidade, para que o sistema imune pare de atacar a pele. Além disso a fototerapia é outra opção (banho em cabine de luz).

  • Nos pacientes com evidência de infecção secundária os antibióticos orais podem ser utilizados, porém sempre com indicação médica, uma vez que o uso muito frequente pode resultar em seleção de bactérias resistentes.

dermatite_atópica_texto
dermatite_atópica_texto

press to zoom
dermatite_atópica_texto_3
dermatite_atópica_texto_3

press to zoom
dermatite_atópica_capa
dermatite_atópica_capa

press to zoom
dermatite_atópica_texto
dermatite_atópica_texto

press to zoom